segunda-feira, 28 de maio de 2012

O QUE OS GAYS QUEREM?




Estamos nos aproximando mais uma vez da Semana da Diversidade, realizada pelo movimento GLBT do Acre desde 2005. Acredito que essa proximidade seja momento propício para a reflexão dos direitos dos homossexuais e tudo que implica essa questão, momento talvez para nos perguntar: O que os gays querem?
Acredito sinceramente que todos querem o respeito, o direito, a dignidade, a igualdade, enfim, exercer seu papel de cidadão e ser considerado como tal independentemente de sua condição/natureza sexual. Mas eu me pergunto se de fato é isso que temos feito para adquirir isso tudo.
A Semana da Diversidade é um evento que consiste na exposição de obras de artes sobre as questões homossexuais, além de palestras, discussões, shows etc., que culmina na grande atração da Semana, a Parada do Orgulho Gay. Mas você sabe o que é uma parada gay? O moderno movimento de orgulho gay começou após a Rebelião de Stonewall, em 1969, quando homossexuais em bares locais enfrentaram a polícia de Nova Iorque durante uma rusga inconstitucional. Apesar de ter sido uma situação violenta, deu à comunidade até então underground o primeiro sentido de orgulho comum num incidente muito publicitado. A partir da parada anual que comemorava o aniversário da Rebelião de Stonewall, nasceu um movimento popular nacional, e atualmente muitos países em todo o mundo celebram o orgulho LGBT. O movimento vem promovendo a causa dos direitos LGBT pressionando políticos, registando votantes e aumentando a visibilidade para educar sobre questões importantes para a comunidade LGBT. O movimento de orgulho LGBT defende o reconhecimento de iguais “direitos e benefícios” para indivíduos LGBT¹.
Se bem observarmos, o movimento nasceu da resistência e tem o intuito de promover o “orgulho” de ser gay, dando aos homossexuais condições para que estes não baixem mais a cabeça e se envergonhem de ser o que são. Mas será que temos orgulhos de fato de ser gay? Nunca sociedade construída sob os pilares do machismo que durante anos também sufocou as mulheres e consequente os homossexuais, é difícil falar em “orgulho gay”, não porque de fato não o tenhamos, mas porque vivemos numa sociedade que ainda nos olha “torto” por sermos diferentes, ignorando o direito à diferença, a que todos têm, pois ninguém é igual a ninguém. Isso inevitavelmente nos tolhe ainda de sermos ou nos consideramos livres para ser o que somos, com todas as nossas “diferenças”. Mas fora isso, os gays ainda sofrem a “vergonha” dos próprios gays que compõe essa minoria que vem a cada dia lutando pelos seus direitos. Infelizmente, as paradas gays, sobretudo no Brasil, o país do carnaval, têm sofrido consideráveis mudanças na sua configuração e, o que é pior, na sua política. De um movimento de resistência, passamos a realizar um “carnaval fora de época”, repleto de elementos que causam mais vergonha a muitos gays do que “orgulho”, como as fantasias exageradas e que só existem na parada, o desfile obrigatório dos gogo boys seminus, e a esperadíssima participação de um famoso cantor para agitar os foliões, digo, manifestantes, que vão, de fato, “atrás do trio elétrico”.
Será que em algum momento as pessoas pararam para refletir se esse modelo de parada funciona? Se ele de fato faz as pessoas refletir sobre as questões homossexuais? Se passa a essas pessoas a imagem que queremos que tenham de nós? Muito provavelmente não, embora as paradas se encham de héteros, o que para muitos é motivo de orgulho. Analisemos um pouco e vejamos os fatos. Muitos héteros vão para a parada para aproveitar o carnaval fora de época e beijar à vontade, afinal é uma festa pública cujo gasto é só o transporte e as cervejas carregadas em milhares de isopores. Os que não vão para se beijar entre si (homem e mulher) vão também para utilizar dos “serviços” sexuais dos gays, que acabam nas ruas escondidas ou em lugares discretos para fazerem sexo, servindo a uma parcela dos homens que “curtem” os gays. Alguns ainda dizem: “Mas vai criança também!” E sinceramente acho isso uma pena, pois não sei se queria que um filho meu visse em muitos gays ali espalhados o modelo de comportamento. Não pensem que sou puritano, mas não acho que expor crianças a esse tipo de ação seja adequado, sobretudo porque, se gay, essa criança tem mais tendência a ter problemas do que soluções, pois o medo de expor aquilo que é tão visivelmente mostrado nos desfiles de gays de cueca, bichas bêbadas se jogando em cima dos caras, pode fazê-lo recuar desse mundo e não sentir-se à vontade em assumir-se.
O que mais me revolta na Parada é o preconceito por parte dos próprios manifestantes, que ainda dividem os gays em grupos e agem diferentemente com cada um, evitando a mistura com “esse tipo de gente”. É deplorável ver aqueles que são mais “resolvidos” e independentes – e sobretudo eles – agirem assim num momento que é feito para se garantir o direito à igualdade. Infelizmente quem mais sofre esse preconceito são os travestis, os gays pobres e os mais afetados, que acabam por ser a escória não só dá sociedade, mas também dos próprios gays.
Voltando à Semana da Diversidade, infelizmente não a tenho visto com bons olhos, não pelo que se discute nela, pelo que se expõe lá, mas para quem ela faz isso. No Acre, por exemplo, a Semana da Diversidade acontece única e exclusivamente para a classe média ou a pessoas que já têm considerável consciência sobre sua sexualidade e não precisam tanto disso. Ora, a Semana tem de chegar aonde a Política e a Educação chegam parcamente, na periferia, onde de fato, estão os gays que sofrem com a condição de ser gay e em função de tudo isso está distante deles, não vão deixar tão cedo de sentir “vergonha” de ser gay. O que conseguem é enfrentar essa situação, reagindo do jeito que podem às pedras que a sociedade lança sobre esses pobres coitados, que além de privados da Educação e consequentemente de uma série de direitos essenciais, são privados do movimento que existe para defender seus direitos.
Este ano, e finalmente isso aconteceu, a Semana da Diversidade será realizada sem a ajuda do Governo ou da Prefeitura. Isso é um ganho muito grande, visto que todo movimento de resistência feito sob salvaguarda de um governo, é fraco e tem parte de seu discurso cerceado porque a parceria pode – e geralmente implica – a aceitação das ideologias deste, o que não é saudável para nenhum tipo de movimento. O governo deve contribuir com aquilo a que todos têm o direito, independente de quaisquer motivos, como a segurança, a garantia do espaço a ser usado, que é público.
Em função da não-ajuda do governo, o movimento está fazendo campanha de arrecadação para realizar a Semana e a Parada, o que é extremamente louvável, pois, acredito, cada manifestante vai sentir que todo o movimento é de fato fruto do esforço e do desejo de mudança, de luta pelos direitos. Isso significa que sou à favor da arrecadação para a realização do movimento, desde que se repensem as posturas até hoje vistas e analisadas aqui, para que façamos de um movimento que surta efeito pelo menos a longo prazo, mas que sirva de um momento de reflexão, que seja, de fato, uma PARADA para o pensamento, não um momento para se curtir um carnaval e todos encherem a cara e fazerem aquilo que queremos que não pensem que fazemos.
Eu, Sergio Santos, professor, escritor, cidadão e gay, disponho-me a ajudar o movimento e me ofereço para o que estiver ao meu alcance para a realização de tudo isso, desde que a Semana e a Parada sejam esse movimento em que acredito. É preciso, depois do que já conquistamos, repensar nossas posturas e fazer um movimento que está mais que na hora de ser sério.



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1 Fonte: www.wikipedia.com

2 comentários:

  1. Vc esta de para bens, seu artigo e reflexões foram coerentes,,.pq eu tbem depois de tanto se falar nisso e sendo eu hetera e católica me coloquei a perguntar , afinal o que querem os gays? e me coloquei no lugar de uma mãe de um gay ou lésbica e pensei o que diria eu a meu filho(a) Já que sou católica convicta,,e cheguei a conclusão que diria para eleou ela ser feliz ,,se ama alguém faça um acordo de união estável ,,, para garantir os direitos materiais e viva este amor confiando muito no amor de DEUS que é para todos,, mas não percam tempo confrontando a igreja..,seja apenas o que é aproveite todas as cosias boas da vida para ser feliz mesmo dentro de certas limitações religiosas, que seja não poder se casar na igreja e nem adotar crianças...mas no demais da para ser muito feliz sim, c certeza mas dentro da moralidade logico ,tendo boa conduta sempre.,,porque ser gay não é ser liberado para condutas imorais e as vezes vemos muito isto na mídia e é isto que estraga a luta dos gays por mais respeito,, assim como é horrível e nojento um homem ou uma mulher ser imoral e vulgar , tbem é muito horrível e nojento um gay imoral ,,a dignidade que a boa moral é amor próprio garante ,cabe a todos os seres vivos.

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