quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ACHO QUE ESTOU FICANDO VELHO

Sou um homem de 31 anos. Nasci, claro em 1980, mas constantemente tenho a sensação de que nasci no início do século passado. Os motivos? Simples: a conversa com pessoas de minha idade ou de menos idade que eu.

Sou professor há quase 9 anos e tenho lidado com várias pessoas, das mais variadas idades. Mais recentemente, tenho tido a sensação de que as pessoas estão jovens demais e eu envelheci. Talvez eu não tenha me modernizado nem me adaptado ao mundo novo, com tantas descobertas, tantas mudanças. Ou talvez eu seja um saudosista inveterado e por isso esteja sempre preso ao passado, fazendo dele algo mais significativo que o presente, dando a mim mesmo a sensação de que sou velho.

Mas é incrível que quando falo das coisas mais antigas, como os bons cantores e compositores, as boas novelas, os bons filmes, as boas músicas, os bons livros; fico bestificado quando constato que a maioria – diria esmagadora – não conhece ou se conhece é sem nenhuma profundidade. Ao trazer à tona coisas que fizeram parte da minha formação e que são significativas para mim, constato que o meu tempo passou. Ou será que as pessoas mais jovens é que não sabem do que já passou? Não serão elas que são ignorantes a uma série de coisas que todos deveríamos conhecer? Talvez.

Hoje, falaram-me do show de um tal Gustavo Lima. Quem é mesmo? Não sei se me sinto ignorante diante do fato de não saber quem é. Disse, inclusive no Facebook, que não iria ao show deste jovem nem que fosse na minha rua e talvez – ou muito provavelmente – eu fechasse minha janela. Parece a todos presunção e preconceito. Presunção, talvez; preconceito, não! Sinceramente defendo a ideia de que não sou preconceituoso nesse momento. Nas minhas vastas vivências ouvi de quase tudo e adquiri conceitos, os quais me permitiram – posso estar erradíssimo – a construir conceitos que definem o meu gosto, o que me dá prazer, o que me emociona.

Sou um velho que não passou da Bossa Nova, da Tropicália ou de tudo que foi feito há mais de 20 anos? Não, acho que não. Vivi intensamente da década de 90 para cá e muito do que gosto e aprendi a gostar nem foi feito nessa época. Quando conheci alguns cantores, compositores e músicas etc., eles já estavam velhos e alguns já tinham até morrido. Isso significa que os jovens de hoje é que não dão espaço às coisas maravilhosas que já foram feitas, às músicas, à literatura, aos filmes, às novelas. Acho tão estranho quando vejo tanto jovem lendo Crepúsculo sem nunca terem lido Capitães da areia, A volta ao mundo em 80 dias, O morro dos ventos uivantes, dentre vários.

Quando abro minha boca e digo que determinada coisa é ruim, que não presta, dou total impressão de que sou arrogante e metido a besta; mas quando passa o tempo e a tal coisa por mim desprezada já se vê esquecida até pelos que a defenderam, isso me dá uma certeza: o que é bom dura, perpetua-se. Por isso, não sou um velho preso ao passado, sou alguém que, sabendo da superficialidade das coisas contemporâneas – não falo de tudo – não perco meu tempo sequer ouvindo ou vendo algo que nem prazer me daria. Porque acho que a arte nunca é efêmera, nunca passa; a arte verdadeira deixa sua marca na gente em algum momento e algo se enraíza; a arte precisa dizer algo que não dure apenas dois segundos, mas algo que me diz para sempre.

Quando eu falo de Casablanca, de Atrás da porta, de Vale tudo; estou falando de coisas que o homem fez e que sempre vão dizer algo quando foram apreciadas. Quanto às coisas efêmeras que a contemporaneidade tem produzido, espero que daqui a dois anos as pessoas ainda estejam falando nelas.

Bem, enquanto isso, eu vou tentando me acostumar com as diferenças entre as pessoas, mas de vez em quando, acreditando que não estou ficando tão velho assim, mas que estou ficando, ah, estou.

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