quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SONETO AO HOMEM QUE VENENO BEBE EM ENGANO

Este soneto faz parte do meu segundo romance, DOCES OLHOS AZUIS, cuja protagonista, a psicopata Natália, ao assassinar suas vítimas, dedica-lhes sonetos. Eis um deles.

Soneto ao homem que veneno bebe em engano


O veneno é dado com um prato saboroso,
Que degustar se deve com prazer e apuro.
Não se deve sentir então seu gosto puro,
Pois assim seu efeito é mais doloso.

O melhor é ver quem dele lento bebe,
Que angustiado pela dor que lhe provoca,
Esgueira-se, geme e por socorro evoca
Todos os deuses a quem ajuda pede.

E quando o banqueteado sabe o que tomara,
O medo de morrer lhe invade toda a alma,
Fazendo-o arrastar-se débil pelo chão.

Regozija-se a alma que o envenenara
Pela graça que alcança e lhe põe calma;
A vida esvai-se toda e o corpo é vão.

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